Witzel, Damares e Salles: Vale a Pena Mentir no Currículo?

26 Jun , 2019 Análise de Mídias,comunicação,imagem,Marketing,Redes Sociais,Tecnologia,Virais


Os currículos de pessoas públicas no Brasil têm provocado desconfiança nos últimos meses. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, informou que tinha feito um curso de pós-graduação em Harvard, sem nunca ter acessado a universidade americana. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que era Mestre em Direito público pela Universidade de Yale, mas, nunca frequentou. A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, se apresentou como Mestre em Educação e Direito Constitucional e Direito da Família e, quando questionada, argumentou que o título era pelo ensino bíblico.
É senso comum que quase todo mundo mente. Para desculpar um atraso, a falta a um compromisso ou um esquecimento. Mas, elas não param por aí. Segundo uma pesquisa feita pelo DNA Outplacement com base em seis mil currículos, 75% dos brasileiros mentem na hora de redigir o currículo.
As mentirinhas para justificar atrasos ou faltas, apesar de reprováveis, são socialmente aceitas. Porém, quando um candidato mente, ele quebra a regra básica do relacionamento pessoal e profissional: a confiança. Normalmente as empresas demitem o mentiroso. Mas, e se o candidato que falseou foi eleito para o mais alto cargo do estado, o de governador, ou é um ministro no governo federal? Tem punição?
O Preço da Mentira
A boa imagem é um dos principais ativos de uma empresa ou instituição e é fundamental para um político. É certo que a figura de uma pessoa pública não é criada apenas por um currículo. Esta imagem é moldada pelo somatório de informações sobre o indivíduo que é repassado ao público através das notícias veiculadas nas mídias. As informações são como peças de quebra-cabeças: sozinhas têm pouca influência, mas, reunidas, criam um cenário.
Ao turbinar seu currículo, Witzel produziu para si um novo cenário gerado pelas cerca de 16 mil matérias publicadas na mídia impressa, internet, rádio e TV. Ao mesmo tempo, ele foi alvo de milhares de posts e memes nas redes sociais e mote da campanha de uma cervejaria: “à venda nos botequins de Harvard”.
Uma rápida análise do material publicado mostra que as consequências disso vão bem além da vergonha de ter a mentira descoberta. Juridicamente não há impacto, já que não houve benefício direto, nem o prejuízo de ninguém. Embora muitos dos eleitores de Witzel tenham se sentido enganados, o grande perdedor foi ele, com a sua credibilidade colocada em xeque. Em uma nova eleição, a primeira cobrança de adversários e eleitores provavelmente será a mentira acadêmica. Da mesma forma Damares e Salles, que serão sempre lembrados por esta falta. Isso se não for aprovado o projeto de lei do senador Jorge Kajuru (PSB/GO), que determina que, quem mentir no currículo, deverá ser penalizado com multa e reclusão de dois a seis anos. A pena será aumentada em um sexto, no caso de servidores públicos. Ou seja, mentir no CV poderá dar prisão.
E agora?
Recuperar a imagem pública é como consertar uma taça de cristal quebrada. Não existe um reparo, é preciso criar uma nova. Enquanto o projeto do senador não se torna lei, a saída para imbróglios como estes é justamente a verdade: ter a humildade de reconhecer o erro publicamente e corrigi-lo.
Pode parecer pouco, mas assumir a própria falha é um compromisso implícito de sua não repetição. A partir daí, criar uma agenda positiva e proativa que possa auxiliar no resgate da confiança e na construção de uma nova imagem pública.
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Bette Romero é jornalista e professora de comunicação. No jornalismo empresarial, foi assessora de imprensa de empresas como: Burson-Marsteller, Secretaria de Meio Ambiente de SP; Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma); Bolsa de Valores do RJ (BVRJ); e Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Atualmente, é Diretora da Background Maxx Comunicação, agência especializada no diagnóstico da imagem de empresas e pessoas públicas. Na área acadêmica, é Mestre em Educação e professora no MBA e na pós-graduação.
E-mail: better@background.com.br/ Linkedin e Facebook: Bette Romero Burlamaqui/Twitter: @Bette Romero


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